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sábado, 28 de maio de 2011

Piratas do Caribe 3: No Fim do Mundo


Política e trapaças. Duas coisas que pintam a cena de "Piratas 3". Tudo com toques de humor e fantasias, o filme oferece um ótimo entretenimento durantes seus 165 minutos de duração. Felizmente, o terceiro não comete os erros tediosos do segundo filme, que passaria tranqüilamente com 20 minutos a menos. A turma de Jack Sparrow (Johnny Depp) volta com tudo e ele, claro, rouba a cena em todas as suas aparições.
Não sou fã do estilo e não falo com a particularidade de quem acompanhou a trilogia com afinco, mas acredito que o filme seja uma boa opção para lazer. Mas ainda arrisco dizer que ele pode ser decepcionante para os fãs fervorosos. Digo isso porque o filme em si não deixa (muito) a desejar, mas por ser a terceira “pérola” de uma trilogia que arrebatou bilheterias, talvez as expectativas sejam maiores que a realização da idéia.
No terceiro filme, encontramos o maquiavélico e baixinho lorde Cutler Beckett (Tom Hollander), da Companhia das Índias Orientais, caçando piratas sem dó nem piedade no controle do assustador "Holandês Voador", o navio que transporta aquela tripulação "molusquenta" liderada por Davy Jones. O ressuscitado capitão Barbossa (Geoffrey Rush), a bela Elizabeth Swan (Keira Knightley) e o perseverante Will Turner (Orlando Bloom) precisam reunir os Nove Lordes da Corte da Irmandade para poderem arquitetar uma derrota contra Beckett. Acontece que o capitão Jack Sparrow é um dos lordes e está preso ao baú de Davy Jones (Bill Nighy). O trio se arrisca, então, numa aventura exótica e perigosa para Cingapura, a fim de conseguir os mapas que os guiarão ao desconhecido. Lá, eles enfrentam o capitão Sao Fend (Chow Yun-Fat), famoso por não ter piedade ou senso de justiça.
Vemos claramente que em “Piratas do Caribe 3: No Fim do Mundo”, temos o aprofundamento e a resolução de todas as histórias propostas nos últimos dois filmes. O romance de Swan com Turner, a história de Davy Jones, a disputa com lorde Beckett, entre outras. E tudo foi encaixado convenientemente e conduzido de forma envolvente. Mas ainda me arrisco a falar que sem a “malemolência” de Sparrow, o filme perderia parte do brilho. Tudo basicamente continua igual. Os personagens continuam com seus estilos e nenhuma grande guinada acontece. Na verdade, as grandes barganhas e tratos emendam e mudam o rumo da historia e há quem fique confuso se dormir no ponto.
A atuação de Depp continua impecável. Apesar das situações perigosas, o personagem não perde o ar inusitado e improvisado. A sua tripulação, desengonçada e fiel, completa o ar divertido que o filme tem. Até o macaquinho e o papagaio influenciam no rumo da pirataria. Mas de longe, Johnny Depp e seu Jack Sparrow deixam qualquer personagem no chinelo.
Entretanto, cada um ali teve seu valor. Todos os personagens conseguiram desenvolver um estilo próprio, até mesmo os secundários. Quem conseguiu provar a que veio foi a Keira Knightley, com cenas de tensão, aventura e romance, todas muito bem desenroladas. E Bill Nighy, apesar da fantasia nada humana, conseguiu ganhar seu espaço.
A maquiagem do filme merece destaque, principalmente na criatividade investida para modelar os noves lordes piratas. Todos estão sensacionais e distintos, aproveitando mesmo toda riqueza imaginária ao redor do mundo dos fora-da-lei dos sete mares.
A trilha sonora envolve e cuida das emoções ao longo do filme e os movimentos de câmera melhoram com o passar do tempo. As lutas estão mais envolventes e com motivos mais condizentes, sem deixar o espectador naquele espetáculo de espadas e pontapés à toa. Pelo visto, cuidaram melhor do roteiro do filme dessa vez. E olha que o filme começou a ser filmado sem o roteiro estar finalizado… Parece que eles capricharam para dar destaque, na medida do possível, a todos os personagens e se deixaram levar pela trama. A mística Tia Dalma (Naomie Harris), que se revela a deusa Calypso depois, foi muito melhor explorada, e até o almirante James Norrignton (Jack Devenport) reaparece com mais personalidade.
E o último filho da trilogia fecha com chave de ouro: o filme contou com a participação ilustre do rolling stone Keith Richards, que interpreta um tipo de guardião da “bíblia dos piratas”. A apresentação curta do astro é muito bem-vinda e ele não desaponta, ainda mais quando é revelado muito sutilmente que ele é o pai do pirata mais carismático, Jack Sparrow.
O filme diverte, nos poupa do melodrama, dosando devidamente e vale o ingresso. Mas além da terceira edição, não acredito que vá haver pano para mais história da seqüência com o mesmo sucesso. O final abre para isso. Por hora, podemos apenas ir até o “Fim do Mundo” com nossos conhecidos piratas e ter a certeza de uma viagem diferente.

Piratas do Caribe 3: No Fim do Mundo

Existe uma certa magia em finais de saga. Todos se emocionaram com o final de "O Retorno do Rei" na trilogia "O Senhor dos Anéis" e torceram por Neo ao final de "Matrix". Até a segunda trilogia de Star Wars levou fãs desesperados aos cinemas só para ouvir e sentir a primeira respirada de Anakin Skywalker como o vilão Darth Vader. O final é sempre mágico, mesmo que o caminho para se chegar até ali não tenha sido dos melhores.
"Piratas do Caribe: No fim do Mundo" é o terceiro filme de uma trilogia de sucessos. Em 2003 conhecemos Elizabeth Swann (Keira Knightley, de "Simplesmente Amor"), Jack Sparrow (Johnny Depp, de "Em Busca da Terra do Nunca") e Will Turner (Orlando Bloom, de "Tróia"), o trio de personagens que nos trazem até "o fim do mundo". Elizabeth, até então, era uma donzela em perigo, esperando para que seu amado a resgatasse. Will era um jovem determinado, mas sem muita certeza de seu papel na história. Jack era o pirata carismático, perigoso ao mesmo tempo em que demonstrava confiança.
Não foi difícil notar que, muito embora Jack Sparrow fosse o coadjuvante de "Piratas do Caribe: A Maldição do Pérola Negra", o talento de Johnny Depp no papel do pirata ofuscou qualquer outro personagem que dividisse cena com ele. Ele sim se tornou a sensação do filme. Inclusive para o próprio Depp, que se empolgou tanto com o jeito afetado e atrapalhado que criou para Sparrow que está disposto a voltar para pelo menos mais três filmes em uma possível nova trilogia. A disposição de Depp, astro, o sucesso de "A Maldição do Pérola Negra" e a ambição dos estúdios Disney se uniram para criar não apenas uma seqüência para o filme baseado em uma famosa atração dos parques da Disney, mas duas de uma vez, a serem lançadas com um ano de diferença. Estavam criados "Piratas do Caribe: O Baú da Morte" e "Piratas do Caribe: No Fim do Mundo".
Três anos separam o lançamento de “A Maldição do Pérola Negra” e de “O Baú da Morte”, e, muito embora os dois enredos não sejam muito distantes um do outro, muita coisa mudou. Will sabe bem que lado quer seguir e não hesita em suas ações. Elizabeth não chega nem perto de uma dama em perigo, e parte logo para a ação ao lado de Jack. Jack se tornou o merecedor protagonista. Agora são suas ações que movem o roteiro. Ele quer o coração de Davy Jones (Bill Nighy, de “Simplesmente Amor”), com quem fez um acordo e ainda não cumpriu. Para ser o capitão de seu amado Pérola Negra, Jack vendeu sua vida para servir 100 anos ao Holandês Voador, navio de Jones. O poder do coração de Jones garante o domínio sobre o navio e, conseqüentemente, sobre o oceano.
Em “O Baú da Morte” Jack consegue, com a ajuda de Will e de Elizabeth, recuperar não apenas o baú que guarda o coração de Davy Jones, mas também a chave que o tranca. Infelizmente James Norrington (Jack Davenport, de “O Libertino”), o comodoro noivo de Elizabeth em “A Maldição do Pérola Negra” entrega o coração ao inimigo de todos os piratas, Lorde Cutler Beckett (Tom Hollander, de “Orgulho e Preconceito”).
“Piratas do Caribe: No Fim do Mundo” retoma a história. Elizabeth deixou Jack para morrer e pagar sua dívida com Davy Jones, Will desconfia da paixão de Elizabeth por ele, e Barbossa (Geoffrey Rush, de “Munique”) aparece para ajudar o grupo a resgatar Jack de seu cruel destino. Com uma história tão sombria não é à toa que o início desse novo longa-metragem siga uma linha um tanto macabra. A música intensa sempre acompanhou “Piratas do Caribe” e é impossível não sentir o coração bater mais forte com o tema principal da saga de Jack, perfeito para um filme de piratas. O primeiro filme apresentou a divertida “Yo Ho (A Pirate's Life for Me)", esse apresenta uma música muito mais dramática.
Enquanto vários cidadãos de Port Royal sobem para serem executados por envolvimento com pirataria, uma criança está entre os criminosos. O menino precisa de um barril para alcançar a forca e canta, com o coro dos outros personagens, uma música pedindo ajuda. Os piratas de todos os cantos do mundo escutam o chamado, que compromete a pirataria de toda a terra. Barbossa, como um dos nove lordes piratas existentes, sabe que é preciso uma reunião de todos os nove para colocar um fim na perseguição de Davy Jones ao lado de Lorde Beckett. O resgate de Jack também não é apenas uma necessidade emocional dos tripulantes do Pérola e motivo de culpa de Elizabeth. É uma questão de logística, pois ele também é um membro do conselho.
Está montado o cenário para a nova aventura. Jack precisa ser salvo, a pirataria precisa ser salva e o relacionamento de Will e Elizabeth enfrenta graves problemas. É difícil direcionar o enredo para apenas uma solução e, pelo jeito, foi difícil também para os roteiristas, Ted Elliott e Terry Rossio, e provavelmente também não foi fácil para o diretor Gore Verbinski. Informação demais? Com certeza.
O dilema de vários finais de trilogia é cumprir o que foi prometido nas duas outras partes anteriores. Foi assim com “Matrix”, foi assim com “Star Wars” e foi assim com o recente “Homem-Aranha”, não seria diferente com “Piratas do Caribe”. O sucesso e a boa história tanto de primeiro quanto do segundo filme dessa trilogia não são nada fáceis de carregar. O que era tão bom em “Piratas do Caribe: A Maldição do Pérola Negra”? A história, para começar, era muito boa. Trazia todos os elementos que gostaríamos de ver em um filme sobre piratas e trazia personagens muito interessantes capazes de conquistar qualquer espectador, por mais sem escrúpulos que fossem. Tinha o elemento romance, tinha cenas incríveis de ação e tinha comédia. A comédia bem feita sempre foi um fator determinante. Eram as frases geniais e sem sentido de Jack Sparrow que faziam de seu personagem especial. Era um filme simples e genial.
“Piratas do Caribe: O Baú da Morte” perdeu levemente esse toque, mas compensou pelos novos personagens, pelas cenas de ação com lutas coreografadas magistralmente e pela criação de novos cenários e conflitos. O problema é que tudo ficou para ser resolvido em uma terceira parte. E é muita coisa. Muita coisa mesmo. Como se não bastasse o enredo complicado, com o aparecimento de novos personagens, o humor se perdeu. O que resta são algumas piadas fáceis com Jack, o macaco, e o 'Jack Pirata'. A idéia estúpida de criar vários Jacks como forma de alucinação do original não funcionou.
O romance ganhou maior destaque. Elizabeth e Will deixaram de ser jovens apaixonados amigos de Jack para se tornarem protagonistas de um drama romântico estilo novela brasileira. A crise do relacionamento é responsável pelas mais irritantes e melosas reviravoltas no enredo.
A ambição do estúdio também não ajuda. Ficou claro que um quarto “Piratas do Caribe” está a caminho e, depois desse, a garantia de sucesso não existe. “Piratas do Caribe: No Fim do Mundo” é decepcionante. Não faz jus ao que começou e não termina com dignidade. É divertido? Sim. Novamente há um banho de efeitos visuais; é bom ver Jack Sparrow novamente, Orlando Bloom exibe um charme irresistível, Keira Knightley possui o talento, a força e a beleza para fazer de Elizabeth a atração do filme. Mas, como fã da série, é impossível não sair do cinema com uma pontinha de decepção.
O que pode levar os fãs a gostarem desse final é a coragem de mudar. O novo filme é, realmente, bem diferente do começo encontrado em “Pérola Negra”. É também uma trágica mudança antecipada por “O Baú da Morte”, mas, por ser diferente, mostra a evolução de uma história que nunca deixou de ser uma aventura pirata. Gore Verbinski ainda consegue envolver e surpreender; consegue levar seu filme com grandes momentos e emoções até o fim. Johnny Depp, mesmo com todas as mudanças em Jack, afirma o que sempre ficou claro: sua personalidade dá alma e movimento ao longa-metragem.
Davy Jones, competindo com Barbossa e, nem precisa dizer, Jack Sparrow, se tornou um dos personagens mais carismáticos da seqüência. Mesmo como um vilão cruel (repetindo o feito de Geoffrey Rush), com um rosto coberto de tentáculos, Bill Nighy cativou a platéia. Jones tem sua história mais aprofundada, como era de se esperar, e mesmo o mais desalmado dos espectadores deve se emocionar com os motivos pelos quais o personagem trancou e escondeu seu coração.
A tão esperada e polêmica aparição do guitarrista do Rolling Stones, Keith Richards, não decepciona. É uma das partes mais divertidas de todo o filme e merece uma extensão em “Piratas do Caribe 4”. Mesmo pequena a participação é significativa.
O que mais atrai nesse final é a resolução do que foi proposto em “O Baú da Morte”. Não há do que reclamar, mesmo com um gancho para um novo filme, “Piratas do Caribe: No Fim do Mundo” termina o que começou. Não se esqueça de esperar pela cena ao final dos créditos. O filme é indispensável para a série. Quem assistiu aos dois primeiros filmes não pode perder esse, mas, não garanto satisfação total.

Piratas do Caribe 3: No Fim do Mundo


Começando exatamente onde terminou “O Baú da Morte”, o terceiro filme mostra a ambição do Lorde Cutler Beckett (Tom Hollander) ao assumir o comando do Holandês Voador para vagar pelos mares buscando a extinção dos piratas. Para tentar impedir tal fato, os protagonistas Elizabeth Swann (Keira Knightley) e Will Turner (Orlando Bloom), juntamente com o Capitão Barbossa (Geoffrey Rush), precisam reunir os Nove Lordes da Corte da Irmandade para tentar acabar com o objetivo de Beckett. Tendo que viajar até o fim do mundo para encontrar o exótico Jack Sparrow (Johnny Depp), um dos lordes, os heróis rumam para uma aventura perigosa em Cingapura para conseguir os mapas com pirata chinês Sao Feng (Chow Yun-Fat).
O final da jornada de Sparrow e seus companheiros chega aos cinemas um ano após o filme anterior. Tendo sido rodado juntamente com o “O Baú da Morte”, a nova aventura mantém o ritmo da história e envolve os fãs em um misto de muita ação, risadas, sem apelar para o melodrama convencional que o fim da história poderia explorar. O grande acerto de “No Fim do Mundo” esteve em reunir todos os elementos básicos que precisavam ser solucionados e fazer com que isso surgisse no decorrer da trama, sem pender para o lado do tédio, mesmo com seus 165 minutos de projeção. Isto, claro, quando o espectador consegue se ater ao desenrolar da trama e seguir o clímax que vai se instaurando, já que é preciso bastante disposição para acompanhar o abuso de informações que é proporcionado. Este também foi o diferencial para o segundo filme, que abusou em tempo perdido e não conseguiu se justificar inteiramente, causando tédio; o que em partes é compreensível visto que “O Baú da Morte” foi apenas um link entre as histórias principais, porém não se justifica por completo. Em “No Fim do Mundo”, o roteiro de Ted Elliot e Terry Rossio sustentam a lógica cronológica da trama e não exagera nas diferentes nuances que adota.
Elliot e Rossio conseguem consolidar com responsabilidade uma história que, inicialmente, não esperava conquistar tanto sucesso. É tanto que entre o primeiro e o segundo longa, foram necessários três anos para que Sparrow voltasse à tona e consolidasse seus fãs. “Piratas do Caribe” não é o tipo de franquia que se pode gostar parcialmente ou ser indiferente. Particularmente, considero que seja uma das melhores narrativas já feitas em anos, apesar de não ser fanático por ela. Além de responder bem como história, é inegável que a responsabilidade técnica é quase cem por cento para engrandecer o longa. De uma competência ímpar, jamais vista em blockbusters como “Homem Aranha” e até o próprio “Harry Potter”, os efeitos visuais de “Piratas do Caribe” justificam qualquer falha secundária. No terceiro filme, “Piratas” consegue ser bem mais detalhista ao trabalhar os efeitos, com uma reprodução perfeita e realista de um cenário que só a Disney conseguiria construir. Desde os efeitos de campo, até a maquiagem bem elaborada, o longa não deixa a desejar em sequer um momento, fazendo-o diferenciar das franquias ditas anteriormente. Como se não bastasse, a direção de arte consegue dar um upgrade na produção, colaborada com a fotografia que investe nas tonalidades nos momentos certos, sejam em planos abertos e luminosos até ambientes mais obscuros, temos reproduções perfeitas do que é quase palpável. Isso se justifica em diversos momentos, como quando um navio vaga pelos mares a noite e o reflexo das estrelas invade o mar.
Outro ponto que não posso deixar de tocar foi o realismo investido ao reproduzir os momentos aquáticos onde a computação gráfica se fez necessária. Um dos maiores desafios do cinema em quesito efeito especial é reproduzir com detalhe o movimento da água, fazendo com que não ganhe um aspecto artificial. “Poseidon" já havia conseguido um maior sucesso nisso e “Piratas 3” desbanca qualquer outro filme, até mesmo os dois anteriores da franquia. Momentos como os navios surgindo de dentro do mar e até na luta final são as provas de que o protocolo em atingir a perfeição está começando a ser quebrado. Mesmo assim, ter um filme cheio de bons efeitos precisa vir acompanhado de um sistema de som que se alinhe ao enredo e nisso “Piratas” sempre foi líder. Além dos ruídos bem reproduzidos, a trilha sonora continua fazendo um trabalho sem igual para dar um bom acompanhamento aos fatos e eletrizar os espectadores que não têm motivos para dormir no ponto, principalmente durante a última hora de filme, na qual tudo vai se encontrando e consolidando um final que faz jus ao que foi proposto inicialmente.
A direção de Gore Verbinski ganhou uma maior vitalidade e liberdade ao registrar os planos. Sem fazer de sua câmera um maquinário inútil, o diretor ousa em construir planos intensos e usa técnicas inteligentes de registros não só de emoções, mas também de momentos regulares que talvez não tivessem obtido tanta notoriedade se outro cineasta assumisse o cargo. Verbinski tem uma familiaridade com o roteiro e não se poupou em pensar detalhadamente como faria para registrar cada simples plano. Este caráter intimista é uma característica que pode fazer com que seu espaço na indústria cinematográfica ganhe uma projeção bem maior do que já tem. E não é somente durante a trilogia que isso fica claro, mas também ao assistir “O Sol de Cada Manhã” e suas reflexões sobre os momentos intensos vividos pelos seres humanos. Em “Piratas”, o mais importante que conseguiu foi dar a vitalidade que o tema precisava para ganhar a simpatia do público, já que por serem personagens comuns vistos em filmes anteriores, talvez não fossem tão convincentes como os da franquia “O Senhor dos Anéis”, apesar de que a particularidade de ambos os universos mágicos consigam dar margem ao distanciamento de um realismo apurado.
Em relação ao elenco, o destaque continua sendo de Johnny Depp, construindo um Jack Sparrow mais descompromissado com sua função social na trama e dando ótimos momentos de comédia. Essa característica veio sendo trabalhada desde o filme anterior, quando Depp conseguiu se familiarizar mais com Sparrow e construir um marco no cinema. Para o terceiro filme, o ator ganhou um roteiro com mais espaço para suas trapalhadas e trejeitos, dando espaço até a esquetes básicas que não fogem do teor geral do filme. A parceria com Geoffrey Rush também rendeu bons momentos e deu um caráter menos metódico do mundo dos piratas. Até porque em nenhum momento a franquia deixa claro que precisa fazer registros histórico sobre os personagens; muito pelo contrário. Tudo que poderia vir de ensinamento histórico sobre os piratas vem camuflado em diálogos que adquirem caráter interior à trama, sem cair na generalidade. Orlando Bloom e Keira Knightley também estão mais a vontade em seus papéis, pois ganham uma maior importância na franquia, virando verdadeiros piratas. Neste ponto, o carisma de Knightley é alcançado justamente por retratar o tão pouco conhecido mundo das piratas mulheres e o de Bloom por assumir um posto memorável na história. A participação de Keith Richards, guitarrista dos Rolling Stones, vem só acrescentar ao filme e a harmonia com Depp é impagável, por mais que seja breve.
Acertando em tantos aspectos, seria hipocrisia reclamar que a franquia não foi finalizada com sucesso. “Piratas” tem uma magia de atingir um público diversificado que dá crédito ao que está sendo exposto, e não seria diferente com “No Fim do Mundo”. É óbvio que muitos fãs possam ir com muita sede ao pote e se decepcionar com a chuva de informações e a longa duração, porém acredito que tem tudo para ser bem aceito entre os que conhecem a franquia. Tanto se falou se este seria mesmo o último filme, mas fica claro um gancho para próximas aventuras de Sparrow. O que não se sabe é se será dentro de “Piratas do Caribe” ou em um filme só dele. De qualquer forma, seria mais uma boa investida cinematográfica. Mais do que um filme competente, um exemplo de como traçar uma história que sabe caminhar por linhas retas e construir uma trama memorável. E aos que ainda conseguirem ficar na sala após o “the end”, poderá ver uma cena fraterna e particularmente bela após os créditos.

Piratas do Caribe 2: O Baú da Morte


"Piratas do Caribe – O Baú da Morte" de cara bateu recordes de bilheteria, consolidando o sucesso da franquia. Antes de tudo, há de dizer que o segundo filme da trilogia cumpre muito bem seus propósitos: segue o mesmo estilo do original, mas o supera tanto em termos de história, efeitos especiais, quanto o retorno de Johnny Depp na pele do Capitão Jack Sparrow, que está mais convincente do que nunca. Enfim, quem busca entretenimento da melhor qualidade, esperando boas cenas de ação, típico humor de desenhos animado, a diversão está mais do que garantida. Para quem procura coisas diferentes do que fora visto no primeiro filme, provavelmente irá se cansar com a narrativa um tanto monótona, mas não há como negar tamanha evolução da produção. "Piratas do Caribe – O Baú da Morte" não está livre dos típicos defeitos de roteiro, mas o produto final consegue ser satisfatório.
Elizabeth Swann (Keira Knightley), a filha do governador Weatherby (Jonathan Pryce), está prestes a se casar com o ferreiro Will Turner (Orlando Bloom). Porém o evento é atrapalhado pela ameaça de Davy Jones (Bill Nighy), o capitão do assombrado navio Flying Dutchman, que tem uma dívida de sangue com o capitão Jack Sparrow (Johnny Depp), amigo do casal. Temendo ser amaldiçoado a uma vida após a morte como escravo de Jones, Sparrow precisa encontrar um misterioso baú da morte para escapar da ameaça.
No primeiro, havia toda aquela história da maldição que agia sob os tripulantes do navio Pérola Negra, mas tudo servia de pano de fundo para as cenas de ação, e as diversas peripécias do pirata Jack Sparrow, que se torna uma atração à parte a produção. O mesmo se repete nessa continuação, porém, atenuando que, apesar da história também servir de pano de fundo, ela é muito melhor desenvolvida e cheia de pontos interessantes, além das cenas de ação estarem presentes em maior número e impressionarem por suas grandiosidades. Antes de tudo, é bom avisar que assistir ao primeiro filme é essencial para a compreensão desse segundo, pois tudo é uma série de fatos que se remetem diretamente aos acontecimentos do primeiro. E isso é um ponto positivo quando se observa que a franquia em si está sendo levada a sério, e não apenas os filmes individualmente. Há também um melhor aproveitamento dos personagens, de modo que os antigos e os novos são encaixados na trama de uma maneira não aleatória e o encontro entre eles sempre se dá de uma maneira produtiva. O pai de Will Turner, a dupla atrapalhada dos ex-amaldiçoados remanescentes do filme anterior, e, principalmente, o comodoro James Norrington (Jack Davenport) são muito bem aproveitados pelo roteiro. Além, é claro, do ótimo vilão Davy Jones, um dos pontos altos da produção.
A trama em si é interessante, pois, apesar de relativamente simples, engloba muitos personagens e abre um leque de acontecimentos que enriquecem o desenvolvimento do filme. Recordo-me até de que no momento que saía da sala de cinema, um homem comentava com seu amigo "esse filme tem muitas reviravoltas". Bom, creio que não é essa a intenção, mas pelo menos mostra que a história não fora banalizada. Ainda assim, o roteiro possui seus defeitos, por muitas vezes se preocupar em trazer cenas de ação e humor, deixando muitas explicações de lado. A própria maldição do navio Holandês Voador é mostrada de uma maneira superficial, pois fica claro a nós que todos os tripulantes são mortos-vivos que têm suas almas cedidas ao capitão Davy Jones, sendo escravos eternamente, porém não há mais detalhes e maiores explicações do por quê da aparência monstruosa dos piratas, sendo a grande maioria mistura de animais com pessoas. Ainda, não é explicado os motivos do macaco do Capitão Barbossa ser imortal pelo fato de permanecer com a maldição do Pérola Negra, visto que esta maldição fora quebrada no fim do filme anterior. Enfim, muita coisa ficou para ser explicada e melhor detalhada no terceiro filme, deixando muitos buracos nesse segundo, e convenhamos que ninguém gosta de esperar quase um ano para finalmente entender melhor algo.
Outro ponto que pesa é o tempo de duração um tanto prolongado: 154 minutos. Chega um certo ponto da projeção que o filme se torna cansativo e um tanto repetitivo, algo que, sem dúvida, cerca de 20 minutos a menos deixariam a película bem mais limpa e consistente. Enfim, já bastam os pontos negativos, pois esses são sobrepostos pelo positivos, que estão em bem maior número. O primeiro filme marcou também pelo humor típico de desenho animado, e este tipo de humor está de volta, e bem mais aguçado. O próprio Johnny Depp confessou que se inspirou, além do guitarrista dos Rolling Stones, Keith Richards, no famoso personagem Pepe Le Gambá para compor Jack Sparrow, e muitas vezes parece mesmo que o pirata é um personagem de animação pelos seus trejeitos. Diversas gags parecem ser retiradas dos clássicos desenhos animados da turma dos Looney Toones, como o momento em que Sparrow corre amarrado a um cipó cheio de frutas, fugindo de uma tribo de canibais. Pode parecer idiota para alguns, mas é o bom e despretensioso humor que fez do primeiro filme um sucesso.
Quanto às cenas de ação e efeitos especiais, fazem de "Piratas 2" um verdadeiro espetáculo visual. Creio eu que desde "Jurassic Park", de 1993, não via tamanha perfeição em efeitos, de modo que nada parece artificial – algo que em "Superman – O Retorno", apesar do estrondoso orçamento de 260 milhões de dólares, percebia-se o uso da tela verde, e inclusive, os efeitos no rosto do protagonista. "Piratas 2" fez render bem seu alto orçamento de 225 milhões, transformando o mundo fantasioso de piratas e monstros algo realista ao extremo. Bom informar que a caracterização dos piratas amaldiçoados – como o impressionante Davy Jones, uma espécie de monstro marinho, meio-polvo, meio-caranguejo -, foi toda feita em computação gráfica e nada de maquiagem. Os atores gravaram suas cenas, e, em seguida, os movimentos eram captados e eram incluídas suas caracterizações monstruosas. Um trabalho perfeito! Tais efeitos aplicados nas cenas de ação também foram um trabalho primoroso, de forma que os muito momentos de adrenalina deixam a continuação bem mais emocionante que o anterior. Há de lembrar que, além dos efeitos especiais, tamanha qualidade das cenas de ação deve-se à ótima condução do diretor Gore Verbinski, que apresenta seu melhor trabalho até agora. Cenas como o ataque da lula gigante Kracken ao Pérola Negra, e a luta de Will Turner e o comodoro Norrington em cima de uma roda de moinho d'água enquanto ela rola morro abaixo, são momentos de congratulações a Verbinski.
Johnny Depp, que praticamente levou o sucesso do filme original nas costas pela sua brilhante interpretação de Jack Sparrow, está de volta perfeito como de costume. Depp repete a essência do personagem, abusando das caretas e trejeitos, fazendo de Jack Sparrow, mesmo com todo seu egocentrismo e frieza, um personagem demasiadamente carismático. Aliás, ele é o filme! "Piratas do Caribe" é Jack Sparrow! "Piratas do Caribe" é Johnny Depp! O personagem dessa vez é melhor trabalhado pelo roteiro, e, felizmente, após seu sucesso no filme anterior, não quiseram alterar sua personalidade tornando-o bonzinho ou emotivo, e sim, define-se mais ainda como um legítimo pirata, que só visa o benefício próprio. Já Orlando Bloom e Keira Knightley nada mais fazem do que repetir as mesmas performances do filme anterior, sem comprometer, porém sem destaque e tornando-se meros coadjuvantes na frente de Depp. Quem acaba se destacando também é o ótimo Bill Nighy (o cantor doidão de "Simplesmente Amor") na pele do vilão, o lendário Davy Jones. Mesmo estando irreconhecível, coberto por computação gráfica o tempo todo, o ator dá a essência exata ao personagem, caprichando nas expressões faciais, tornando-o um sujeito extremamente cruel, mas peculiar, devido seu passado. Já Stellan Skarsgård ("O Exorcista – O Início") empresta todo seu ar de experiência para Bill Turner, captando bem a complexidade do misterioso pirata.
Enfim, "Piratas do Caribe – O Baú da Morte" não escapa das falhas de roteiro, mas agrada em cheio aos fãs da franquia. Extremamente bem feito, bem dirigido, com mais um show de Johnny Depp, o filme cumpre bem a que veio. E pelo visto, o retorno tem sido mais do que positivo, já que se tornou o filme mais rápido da história a chegar aos US$ 200 milhões, superando "Homem-Aranha 2" e "Star Wars: Episódio III – A Vingança dos Sith". Agora, as expectativas para "Piratas do Caribe 3" estão aguçadas, e, com o gancho deixado no fim deste, alguém duvida que o sucesso será maior ainda?

Piratas do Caribe 2: O Baú da Morte


Quando "Piratas do Caribe – A Maldição do Pérola Negra" estreou em 2003, não se esperava muito da produção. Seria apenas mais um filme de aventura, entretenimento despretensioso, mais um blockbuster dentre os inúmeros que são lançados todos os meses. O sucesso do filme, entretanto, fez com que a história viesse a ser novamente explorada, virando o que hoje já é uma trilogia (sim, pois para os que ainda não sabem, o terceiro filme da saga já está em andamento).
A primeira estratégia dos produtores para esse segundo filme é o fato de que é preciso ter pelo menos uma noção do que aconteceu na primeira produção para podermos nos situar na história. Muitos dos personagens são os mesmos do filme anterior, dispensado uma nova apresentação. Os cargos de protagonistas continuam com Jack Sparrow, Will Turner e Elizabeth Swann, que haviam se conhecido quando, por motivos diferentes, estiveram envolvidos na recuperação do navio de Jack, roubado pelo vilão Capitão Barbossa no primeiro "Piratas". Dessa vez, a trama gira em torno de um pacto que Jack Sparrow tem com Davy Jones, uma terrível criatura do mar. Sparrow, como sempre, acaba envolvendo Will e Elizabeth em prol dos seus próprios interesses.
A partir daí, se desenvolve a velha fórmula: uma trama mirabolante, muitos efeitos especiais e cenas de ação com um toque de humor. Não tem como dar errado se considerarmos o público geral, mas alguns aspectos deixaram a desejar nessa produção.
Apesar da parte técnica se apresentar bastante competente na parte de efeitos, deixando o visual bastante satisfatória, apenas isso está longe de ser suficiente para sustentar um filme. Eis que surge a primeira falha: a primeira impressão que a história deixa ao seu final é que o roteiro poderia ter sido melhor trabalhado. A história parece extremamente arrastada e com pequenas traminhas paralelas completamente dispensáveis. O resultado se transforma em quase 2 horas e meia de filme, uma duração excessiva para uma produção voltada puramente para o entretenimento. O esquema "princípio-meio-fim" que se faz necessário nesse tipo de história fica confuso, deixando a impressão de que o desfecho verdadeiro só virá no próximo filme, que fecha a trilogia.
O elenco está bastante heterogêneo. Orlando Bloom continua apenas razoável e Keira Knightley prova, mais uma vez, que precisa melhorar bastante, embora esteja bem melhor que no primeiro filme. Os personagens secundários cumprem bem os seus papéis, com destaque para Jack Davenport como Comodoro Norrington, agora acabado depois do que lhe aconteceu no primeiro filme.
Os méritos do filme, no entanto, como já era de se esperar, são todos de Johnny Depp, no papel do Capitão Jack Sparrow. É impossível não se deixar impressionar pela versatilidade do ator e o toque especial que deu a esse personagem. Apesar de Jack ser, em tese, uma criatura desprezível, Johnny imprimiu um toque altamente carismático a ele. Sendo uma mistura de bêbado, inescrupuloso e por vezes até afeminado, Jack Sparrow é, sem dúvida, a melhor razão para se assistir a "Piratas do Caribe: O Baú da Morte".
Outro ponto a ser ressaltado talvez tenha sido a trilha incidental da produção. Não chega a ser algo extraordinário, mas no meio de um roteiro medíocre e atuações apenas razoáveis, torna-se um aspecto a se elogiar.
Enfim, para quem está à procura de um filme que proporcione apenas alguns momentos de diversão e uns bons efeitos especiais, "Piratas" é uma boa pedida e, no fim das contas, cumpre o que se propõe. Que fique claro, no entanto, que nessa produção você não vai encontrar nada além disso.

Piratas do Caribe 2: O Baú da Morte

Will Turner (Orlando Bloom), Elizabeth Swann (Keira Knightley) e Jack Sparrow (Johnny Depp) estão de volta na conhecida aventura intitulada Piratas do Caribe; o subtítulo da vez é O Baú da Morte, algo que causa frisson já no trailer ao mostrar o tal baú e deixar um clima de suspense para saber o que ele carrega consigo. No segundo filme da franquia, Elizabeth está prestes a casar-se com o ex-ferreiro Will, porém ambos são acusados de ajudar um tal pirata chamado Jack Sparrow a escapar de sua pena e acabam presos. Para que Elizabeth não vá para a forca, Will terá que pegar um objeto que pertence a seu amigo (ou não) Jack. Quando se aventura a cumprir essa missão, acaba entrando em enrascadas com Jack ao estilo das do primeiro filme: navios mal-assombrados, piratas sobrenaturais e muitas aventuras encharcadas de lutas e fugas.
Como dito, a receita é a mesma do primeiro filme. Para quem não lembra, "Piratas do Caribe – A Maldição do Pérola Negra" recebeu cinco indicações ao Oscar, nas seguintes categorias: Melhor Ator (Johnny Depp), Melhor Maquiagem, Melhor Som, Melhor Edição de Som e Melhores Efeitos Especiais. É até normal se pensar em continuações para o filme, visto que arrastou muitas pessoas para o cinema, principalmente os jovens, que, como de costume, não deixariam de prestigiar caso houvesse uma continuação. Mas não é tão quanto foi o primeiro. Apesar da qualidade técnica ser quase perfeita, algo que faz jus ao sucesso do primeiro filme, os demais componentes não conseguiram impressionar.
A primeira coisa bem chata observada no filme é seu ímpeto comercial. Tudo bem que cinema vindo da indústria hollywoodiana visa somente a arrecadação, mas sejamos menos escancarados, ora. O primeiro filme já arrecadou bem, o segundo ia arrecadar através da receita de seu antecessor, mas resolveram inventar. Matematicamente falando, sabe um círculo? Onde é o começo e o fim desse geométrico? Pois é, não existe. É, como o nome já diz, um círculo (é nada, Raphael). E o roteiro do filme faz isso: um círculo. Que horrível. Do começo ao fim tudo é apenas uma enganação. Visto que, além de terminar deixando claro que o final será só no terceiro, envolve uma série de personagens e acontecimentos desnecessários para o todo. 150 minutos de pura embromação. Se você gosta do show técnico, tudo bem, vale a pena assistir. Se você quer ter entretenimento através de uma mistura de comédia, aventura e ação, também vale a pena assistir. Mas se sua intenção é o filme em si, a história, espere o terceiro, pois esse é apenas a preparação (no melhor sentido da palavra) para o derradeiro da franquia. Nem final esse filme tem!
Como não dá nem para comentar muito a patetice do roteiro e de quem pensou em deixar o filme tão raso assim, vamos para a parte técnica que agrada muito. Os efeitos especiais, assinados pelos seguintes estúdios: Industrial Light & Magic, Tippett Studio, Proof e Animal Makers, compõem a melhor parte da película. Um baile no quesito visual. Já no que tange à parte sonora, outro baile. Tanta competência que envolve espetacularmente o espectador na trama. Era preciso o sucesso desses dois elementos para, como eu já disse, fazer jus a competência do primeiro. Felizmente, isso aconteceu e a nota dessa crítica será exclusivamente para essa parte técnica. Note bem: a nota é principalmente pela parte técnica e não pelo péssimo roteiro, muito menos por esse péssimo jogo comercial de enganar as pessoas por mais de duas horas dentro de uma sala de cinema.
Melhor, um bom bocado da nota também vai para Johnny Depp. Para variar, o ator se sobressai perante os outros do elenco. Um grande personagem fez grande sucesso no primeiro filme e pensei que ele ia cair na normalidade nessa continuação, mas não, Depp consegue mais uma vez dar a vida necessária ao personagem e é o melhor dentre todos os outros da trama. Mesmo tendo trabalhado muito bem, o mínimo de esforço do ator já superaria a incompetência notável de Keira Knightley. A senhorita tinha feito um trabalho tão bom em "Camisa de Força" para desmanchar com essa péssima atuação. Ela não acerta em nada. Simplesmente NADA! Outro que também vai mal é Orlando Bloom, o eterno Legolas. Depois de uma boa atuação na comédia romântica "Tudo Acontece em Elizabethtown", pensei que ele poderia retirar esse fardo de ser sempre lembrado como Legolas de "O Senhor dos Anéis", mas nesse filme demonstrou a imaturidade profissional que vinha apresentando em outros trabalhos e ainda mostrou que não está pronto para emplacar de vez essa carreira tão badalada.
O orçamento de US$ 225 milhões pareceu ter sido quase que completamente usado só para ativar os estímulos visuais e auditivos dos espectadores. Fiquei chateado com a grande jogada de marketing de deixar tudo para o terceiro filme e fico mais ainda em saber que o filme vai arrecadar muito. Agora, só resta saber se o próximo filme será tão bom, mas tão bom a ponto de fazer eu esquecer essa péssima idéia de puro marketing apelativo.

Piratas do Caribe 2: O Baú da Morte

A segunda aventura de "Piratas do Caribe", agora "O Baú da Morte", mostra o excêntrico Jack Sparrow (Johnny Depp) em uma aventura mais complicada e surpreendente do que o primeiro filme que, certamente, tornou-se um épico inesquecível por ter conquistado a crítica e o público de uma forma inesperada. Foi tanto que conseguiu ascender definitivamente Depp para a indústria cinematográfica e, felizmente, ganhar mais duas continuações. Em O Baú da Morte, após ter solucionado a Maldição do Pérola Negra no primeiro longa, vem à tona uma dívida que o capitão Jack tem com Davy Jones, o dono das profundezas do mar e o comandante do navio Flying Dutchman. Se for capturado por Jones, Sparrow está destinado a viver a serviço do vilão. Mas antes disso tudo, o casamento dos pombinhos Will Turner (Orlando Bloom) e Elizabeth (Keira Knightley) é interrompido com um mandato de prisão para ambos, que só se libertariam se Turner capturasse a bússola de Sparrow. Então a vida dos personagens se cruzam mais uma vez, meio a batalhas marinhas, criaturas exóticas, descobertas inesperadas e à procura do Baú da Morte, cuja lenda retrata que quem o achar, terá controle sobre Jones, o que acaba despertando o interesse de muitos personagens da história.
"Piratas 2" consegue trazer uma boa seqüência para a franquia. Dispondo de um roteiro longo e, digamos, objetivo, apesar do muito tempo usado para revelar os fatos, é normal que alguns momentos se tornem cansativos, mas o público já precisa prever isso de um filme que tem quase três horas. Algumas cenas poderiam muito bem ter sido encurtadas para que o filme parecesse mais centrado nos seus objetivos, mas mesmo assim não caiu em um conceito de mesmice ou chatice. Por mais que já conheçamos muito bem a índole de cada personagem, ainda sim eles conseguem crescer durante os momentos da trama, tendo uma abertura maior e não dando tanta margem para que eles fossem figurinhas repetidas do primeiro filme. Neste, por exemplo, conseguimos ter muitas sensações transferidas de cada personagem que não tivemos no primeiro. Sem falar que, mais do que nunca, eu não consigo imaginar alguém melhor que Johnny Depp para viver Jack Sparrow. Simplesmente sarcástico, impossível e fenomenal.
Desta vez, vemos um roteiro mais prático e inteligente ao ligar os fatos que presenciaríamos, como a facilidade com que Jack Sparrow manipula seus "amigos" Will e Elizabeth para conseguir o que quer, saindo da linha do protagonista que beira entre o herói e anti-herói da trama. Sparrow continua sendo a figura de sempre. Engraçado, tosco e encrenqueiro, até os momentos mais ridículos que ele enfrenta permitem boas risadas ao espectador. Seu sotaque, inteligência e seus trejeitos estão mais soltos e seguros. Não tão diferente de "Piratas 1", no quall Depp deu um toque exagerado ao personagem e ficou com medo de não ter conseguido fazer um papel carismático. Medo superado e sucesso certo, agora ele pode brincar com as tiradas sensacionais e o humor negro do Capitão para provocar momentos impagáveis na trama. Keira Knightley consegue participar de momentos definitivos e passar uma carga dramática dentro da trama, mas que ainda não consegue sair da superficialidade de Elizabeth, não dando tanta margem para sua atuação se destacar. Orlando Bloom foi o que menos evoluiu. Desta vez mais determinado, o que consegue é a competência das batalhas que trava, deixando a carga emocional e psicológica do seu personagem de lado, algumas vezes dando margem ao espectador se sua determinação em encontrar o Baú da Morte era verdadeira ou não. O vilão computadorizado Davy Jones é um destaque a parte, assim como seus capangas e todos os personagens aquáticos que nos são apresentados.
Resultado de uma direção de arte mais detalhista e caprichosa. O realismo dos personagens feitos por computação é impressionante e eles tornam-se mais densos com a textura sombria que é encaixada nos momentos em que aparecem. Ponto positivo também para os cenários e a fotografia. Impressionante como conseguiram reunir as locações onde ocorreram as filmagens e tirar delas cenas belíssimas, com uma fotografia de brilhar os olhos. Destaque para os momentos já perto do final, nos quais Tia Dalma, outro personagem fundamental, excêntrico e belo, recebe visitas de algumas pessoas. Antes de entrarem na casa de Dalma, podemos acompanhar um trajeto obscuro, iluminado com velas, que causa um efeito visual maravilhoso por ter disposto de um elenco de figurantes expressivos e densos. Tudo isso nas mãos do diretor Gore Verbinski, foi bem administrado e digno de aplausos. Verbinski mostra-se mais versátil e seguro em relação à responsabilidade que tinha nas mãos ao filmar a primeira franquia. Mesmo sabendo do sucesso, não deixou sua cabeça subir com ele, adquirindo uma experiência que refletiu neste segundo longa. O diretor conseguiu captar batalhas excitantes, não deixando a trama cair em uma linha cansativa, até mesmo as seqüências mais longas se tornaram um show a mais para o público. Mostrando-se também sensível nos momentos melodramáticos que invadem a tela da metade para o final do filme, Verbinski teve uma leitura do roteiro favorável para que tais momentos não virassem clichês ousados e dispensáveis.
Enfim, "Piratas do Caribe: O Baú da Morte" pode ser considerado como uma ponte para a próxima aventura do capitão Jack Sparrow e seus amigos (e inimigos). Longo sim, eletrizante mais ainda; a produção vem consolidar o sucesso do primeiro filme e, como já era de se esperar, ter um toque comercial para arrastar multidões e arrecadar horrores, mas que não deixa de ser competente do começo ao fim. Tecnicamente indiscutível, saímos da sala de projeção com um gostinho de quero mais. Mesmo sendo puro entretenimento, é uma das melhores opções atualmente em cartaz e um dos filmes mais esperados do ano que, felizmente, não desaponta aos fãs de Sparrow. E se você ouviu falar que depois dos (muitos) créditos tem uma cena final, é verdade, porém não é tão útil e podemos viver sem. É só mais uma gracinha a ser vista.

Piratas do Caribe 2: O Baú da Morte

Após o sucesso de "Piratas do Caribe: A Maldição do Pérola Negra", a Disney decidiu gravar juntamente (como foi o caso da trilogia Matrix, por exemplo) as duas continuações dos piratas que vêm dominando os cinemas. Foi aí que "Piratas do Caribe: O Baú da Morte" surgiu. Com seu orçamento girando em torno de 225 milhões de dólares, o segundo longa estreou em meio a outras grandes produções, como "Superman – O Retorno", porém, mesmo assim, surpreendeu ao quebrar vários recordes de bilheterias. Devido a isso, nós, brasileiros, ficamos mais ansiosos ainda para a estréia do filme. Ora, um longa que apenas em um dia faturou 55,5 milhões nos Estados Unidos, enquanto em um fim de semana arrecadou mais de 130 milhões no mesmo país, não deve ser tão ruim assim. Agora que finalmente assisti, posso dizer que bom não é. Em geral, "mediano" seria a palavra que melhor descreveria o projeto, uma vez que um conjunto de fatores é necessário para tornar um filme bom, e não apenas o seu aspecto técnico. Todavia isso explicarei mais adiante.
Seguindo a mesma linha da trama anterior, "Piratas do Caribe: O Baú da Morte" começa com os planos de casamento de Will Turner (Orlando Bloom) e Elizabeth Swann (Keira Knightley) sendo arruinados, já que os dois são presos sob alegação de terem ajudado um pirata, chamado Jack Sparrow, a escapar de sua pena. Tentando salvar a sua amada da morte, Will parte em busca de Sparrow com o objetivo de pegar um objeto deste. Porém o jovem se vê envolvido em uma perigosa trama armada por seu "amigo" pirata, que tem que saldar uma dívida de sangue com o Davy Jones, mestre das profundezas oceânicas e comandante do temível Flying Dutchman. Se não pagasse esta dívida, Jack seria amaldiçoado com uma vida de pós-morte de eterna escravidão a Jones. Paralelamente, Elizabeth não consegue apenas esperar por seu amado na prisão e também parte em busca de ajudá-lo a encontrar Jack. É então que a mulher se envolve em outras aventuras, até que encontra o capitão Sparrow. Pronto, a confusão está armada.
Está clara a principal motivação da Disney: dinheiro. Mas isso, obviamente, já era de se esperar. O problema é que realmente existem blockbusters não tão deprimentes em relação ao roteiro quanto "Piratas do Caribe: O Baú da Morte". São mais de duas horas de plena enrolação, apenas isso. Nem a tentativa de criar um triângulo amoroso entre Jack Sparrow, Elizabeth Swann e Will Turner convence. O romance é abordado de maneira extremamente artificial, mas isso pode ser relevado, já que não é o ponto principal do filme. O problema é que praticamente todas as subtramas são vistas de forma superficial, com exceção da relação de Will com seu pai, Bill Turner. Sinceramente, primar o aspecto financeiro e a diversão não deve levar a um esquecimento da história, e foi isso que aconteceu. Preocuparam-se com o aprimoramento de efeitos especiais, por exemplo, e sequer lembraram da trama em si. Aliás, tudo encaminha-se ao terceiro filme, chamando, assim, mais pessoas a assistirem à outra produção.
A direção de Gore Verbinski, ao trazer aventura e ação, é bastante satisfatória. Devido a isso, o cineasta dota a trama de um aspecto divertido. Embora tecnicamente bem feitas, algumas cenas são longas demais, entediando facilmente o espectador. Como já citei, há certas seqüências que são enrolações puras, chegando a levar a quem está vendo o filme a se perguntar qual a ligação com a história real do longa. Vamos tentar entreter, mas pelo menos associem à trama, por favor. Em meio a aspectos não tão fascinantes, os toques cômicos realmente foram bem trabalhados, deixando, assim, o esquecimento da história um pouco mais imperceptível. O emprego dos efeitos especiais também foi bem utilizado, equiparando-se ao tão badalado Superman – O Retorno, filme mais caro da história cinematográfica. A trilha sonora, composta pelo alemão Hans Zimmer, é outra que, em meio a decepções, agrada um pouco. Não é magnífica, porém traz mais entusiasmo ao filme, ajudando certos momentos mais duradouros a passarem mais rapidamente.
Johnny Depp, na pele do capitão Jack Sparrow, mais uma vez desempenha um bom trabalho. O ator, que vem se tornando mais requisitado em Hollywood, demonstra maturidade para compor os mais diversos personagens, enquadrando-se em cada tipo desejado. Não foi à toa que recebeu uma indicação ao Oscar pela interpretação de Sparrow no primeiro filme. Todavia os outros dois atores principais não parecem estar no mesmo nível de Johnny, infelizmente. Confesso que tenho certa pena da Keira Knightley. As vezes, até sinto que a atriz se esforça, mas definitivamente quase nunca consegue incorporar realmente Elizabeth. É até algo deprimente de se escrever, porém talvez Keira se saísse melhor em uma carreira de modelo. Não digo que em outros filmes ela foi tão ruim assim, inclusive no primeiro "Piratas do Caribe", que foi gravado há 3 anos atrás, conseguiu ser melhor, todavia, definitivamente, o resultado final das atuações da moça não é satisfatório. Bem, mas ainda tenho esperanças de que um dia essas falhas de atuação da atriz serão plenamente superadas e ela se tornará uma das melhores do ramo cinematográfico. Será? Parece piada, porém vamos esperar. Praticamente do mesmo nível de Keira, está Orlando Bloom. Os dois formam um casal lindo, todavia nem tão competente assim. Orlando praticamente possui sempre a mesma fisionomia. O seu olhar já é típico. Novamente digo, algo que espero ser superado no futuro.
E, claro, Davy Jones não poderia deixar de ser comentado, nem que fosse no final desta crítica. Através de motion capture, mesma técnica usada em "O Senhor dos Anéis" (em Gollum/Smeagol, para ser mais precisa), este personagem foi criado por computadores e, depois, através dos movimentos do ator Bill Nighy, humanizado. E humanizado no real sentido da palavra. Basta visualizar os olhos do personagem que possui características de polvo e caranguejo ao mesmo tempo. Em determinada cena, a emoção que Nighy deu ao papel foi melhor do que todas as seqüências de Keira e Orlando (e olhe que foram muitas…). Embora Stellan Skarsgård, que interpreta o pai "morto-vivo" de Will Turner, não possua tanto espaço no filme, a sua capacidade dramática também ajuda um pouco no decorrer da trama.
Enfim, "Piratas do Caribe: O Baú da Morte" definitivamente não foi feito para ser um filme com história. Seu roteiro é sofrível, repleto de enrolações que não levam a lugar algum, e apenas visa o terceiro longa. Em geral, as atuações dos atores principais, com exceção de Depp, não são boas, não trazendo emoção à trama. Todavia aqueles menos exigentes que buscam um pouco de comédia, poderão sair das salas de cinema imensamente satisfeitos. Arrisque em assisti-lo, ao menos um pouco divertido será.

Piratas do Caribe: A Maldição do Pérola Negra

Em 29 de agosto de 2003, chegava aos cinemas uma inesperada produção, dirigida por um indivíduo que menos de um antes tinha feito sucesso com "O Chamado", versão americana de um terror japonês. A descrença era grande. O filme haveria de ser lançado no período de férias americanas, e a Disney já vinha enfrentando vários problemas financeiros (que ainda continuam). Então, se os parques estão em parte vazios, se as produções de animações estão enfraquecendo com a entrada de novas produtoras, por que não unir o útil ao agradável? E assim surgiu "Piratas do Caribe: A Maldição do Pérola Negra".
Criado originalmente para ser apenas um filme para divulgação de um dos brinquedos mais populares do parque, Piratas iria se basear no brinquedo, mas não necessariamente na história contada por ele. Para não correr o risco de um fracasso na bilheteria, juntaram-se ao elenco nomes de peso como Johnny Depp e Geoffrey Rush. Aproveitando-se também do marketing que havia sobre "O Senhor dos Anéis", contrataram Orlando Bloom para o filme.
A história gira em torno de um navio, o Pérola Negra, que carrega uma tripulação sob a maldição de um ouro asteca, que a deixou morta-viva, mas que só a luz do luar mostra sua verdadeira identidade. Para quebrar o encanto, os integrantes da tripulação precisam devolver todo o ouro asteca que gastaram. Então somos apresentados aos personagens de Elizabeth Swann (que possui o último medalhão de ouro) e Will Turner, que é resgatado quando criança e passa a viver na cidade governada pelo pai de Elizabeth. Também no começo do filme somos apresentados ao Capitão Jack Sparrow (um dos melhores personagens de Johnny Depp). Em um incidente, o ouro atrai a presença dos piratas amaldiçoados que seqüestram Elizabeth. Claro, os laços se estreitam quando se descobre que Sparrow era capitão do Pérola Negra e que fora destituído do posto pelo atual capitão, Barbossa. Então Will e Jack partem em uma busca para resgatar, o primeiro a sua amada, e o segundo o seu navio.
Filmes de piratas há muito haviam deixado de ser um mercado interessante para Hollywood, e esse era o maior receio da Disney, que investiu cerca de 140 milhões de dólares no filme. Resultado? 305 milhões, 413 mil e 918 dólares somente nos Estados Unidos em 189 dias de exibição, fora a bilheteria mundial de 348 milhões e 500 mil dólares que engordaram a Disney e a fizeram repensar seu modo de ver o filme. Logo, o longa se transformou em uma franquia que ainda teria mais dois episódios, a serem gravados um em seqüência ao outro, claro, que com um orçamento bem mais gordo. Além disso, a Disney fechou o brinquedo que inspirou o filme e mudou a história do brinquedo para uma forma de continuação após o filme, e que voltaria a ser reaberto na estréia do segundo longa nos cinemas, em 2006.
A direção do filme é impecável e Gore Verbinsky se mostrou um diretor contido, com verdadeiro domínio sobre o que quer que seja revelado em tela, e o momento certo da revelação, bem como maestria sobre os efeitos especiais, que são simplesmente espetaculares. Na atuação, para a felicidade de muitos, Johnny Depp esteve impecável, sendo uma das suas melhores atuações em todos os seus filmes, um personagem que acabou se tornando memorável para muitos. Do mesmo modo, Geoffrey Rush, que sempre se deu bem com personagens mais expansivos que desafiam mais as suas atuações (como em "Contos Proibidos de Marquês de Sade"). O resto do elenco, infelizmente, se manteve muito reprimido e amarrado a estereótipos, como o mocinho que resolve enfrentar a tudo e a todos para salvar sua amada, ou a menina donzela que precisa ser resgatada.
O roteiro, mesmo com frases de efeitos, consegue encaixá-las no contexto geral, não as tornando descartáveis, muito pelo contrário, as tornam necessárias e parte integrante de todo o projeto, não desmerecendo ou diminuindo o nível do filme. Infelizmente o longa acaba se tornando um pouquinho extenso, podendo ter tido algumas cenas cortadas, mas, mesmo assim, e apenas para alguns, o filme pode até cansar em seus 143 minutos de duração.
A trilha sonora de Klaus Badelt se encaixa perfeita, respirando o espírito aventureiro e clássico de filmes ou seriados que tratavam sobre piratas ou caça ao tesouro, sem nenhum momento deixar de se tornar um pouco além do que a música é realmente para o filme.
Em suma, uma verdadeira surpresa para aqueles que adoram uma boa aventura, um bom filme de entretenimento, e um passaporte obrigatório para quem quiser assistir ao segundo longa.